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terça-feira, 30 de novembro de 2010

TEXTO DIRIGIDO AOS DP

Terça-feira, 30 de Novembro de 2010. São oito horas e doze minutos. Já cumpri as tarefas matinais. O tempo está de chuva. Lá ao longe ouve-se o ribombar da trovoada. Tudo indica que vamos ter um dia de Inverno. Caro Doente de Parkinson, embora o tempo não permita a saída de casa, não vamos descorar no exercício físico. Agasalhe-se bem e de tempos a tempos dê umas passadas pela sala. Aproveite e veja o bulício que vai na rua. Mantenha o tempo e a mente ocupada. Faça o favor de ter uma manhã o melhor que conseguir, prepare uma tarde se possível melhor e votos de uma noite quentinha.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

CALÇADO PARA DP: SOLA DE CABEDAL/ BORRACHA

Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010. São oito horas e vinte e cinco minuto. O tempo está húmido e faz muito frio. Já dei a minha caminhada matinal. Fui ao pão. A propósito da minha caminhada, na minha última intervenção (Sexta-feira) houve quem discordasse que eu indicasse o uso de calçado antiderrapante, em vez de calçado com sola de cabedal.
Passei o fim-de-semana a pesquisar e efectivamente há autores e associações que aconselham calçado de sola de cabedal e explicam que devido ao facto de os DP, não levantarem os pés, darem passos curtos e arrastarem os pés este tipo de sola desliza mais facilmente e tem a vantagem que não prende.
Por outro lado também há autores que aconselham, quando na marcha ou na caminhada, o uso de calçado de sola de borracha. A justificação é, quanto a mim simples, quando um DP caminha, deve levantar o pé, poisar primeiro o calcanhar e depois a planta do pé. Dai que necessite de piso aderente.
Por várias vezes tenho referido, o quão difícil é andar (caminhar) nos passeios e ruas das nossas cidades. São rua em paralelo que escorregam tipo manteiga. São passeios estreitos e esventrados, em suma são só ratoeiras.
Façam o favor de trem uma boa manhã, apesar do frio, preparem uma tarde ocupada com algo que vos prenda a concentração, e uma noite tranquila e quentinha.   

sábado, 27 de novembro de 2010

O Poeta: José Carlos Ary dos Santos

Artigo 9° do Decreto-Lei nº 135/99, de 22 de Abril

Sete horas e quarenta, Sábado, dia 27.11.10 (abrevio por causa do nº de caracteres). O tempo, embora fresco, apresenta-se com bom aspecto. Propicio, com um bom agasalho e um bom calçado (calçado com sola antiderrapante e salto larga, se possível sem os célebres cordões), para uma passeata ao quarteirão.
 Deve ser dada prioridade ao atendimento de "idosos, doentes, grávidas, pessoas com deficiência ou acompanhadas de crianças de colo e outros casos específicos com necessidades de atendimento prioritário.” e também que os “ portadores de convocatórias têm prioridade no atendimento junto do respectivo serviço que as emitiu.” (Conforme com o disposto no artigo 9° do Decreto-Lei nº 135/99, de 22 de Abril).” Fui a uma repartição pública, tirei a senha e calhou-me em sorte a senha 99 com uma letra, não sei se antes ou depois. Aparento 50 anos, pêlos bem arranjados, camisa e calça engomada, sapato… Só que não há lugar para me sentar. Caminho de um lado para o outro. Exausto, reparo que ali ao lado está algo no qual posso pousar aquilo que todos têm ao fundo das costas. Se bem o pensei, melhor o fiz, há sempre um mas, um senhor zeloso pelo mau aspecto que causava à repartição, um cavaleiro assim mal sentada e com uma bochecha de fora outra dentro, convidou-me a contribuir para a imagem da dita. Falei, repostei, peguei no cartão de cidadão, só nele consta tudo menos o catálogo de doenças a que um cidadão tem direito. O remédio foi desistir, pois como DP estava exausto.
Só que pelo caminho pensei para com os meus botões: “ Então se tenho quatro filhos, um genro uma neta e uma carrinha de sete lugares. Vamos todos, fazem turnos de trinta minutos cada um, sendo que os cinco minutos cabem-me a mim”. Melhor o pensei, melhor o fiz e em dez minutos resolvi um problema que nem o cartão do cidadão conseguiu resolver na véspera
Façam o favor de terem um bom Fim-de-semana, se possível junto daqueles que vos amam.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A VELHICE

Sexta-Feira, 26 de Novembro de 2010. São sete horas e trinta minutos. Ainda não ouvi o “cuco”. Espreito pela janela e vejo o clarão da aurora. Vamos ter o tempo que fez ontem.
Hoje, para alem de reforçar que os DP necessitam de fazer muito exercício físico, ter uma ocupação para os tempos mortos e tomar a medicação às horas certas, quero falar sobre a velhice daqui a uma década, década e meia. Como sabemos, por razões socioeconómicas, a natalidade diminui e para além disso as mães são-no cada vez mais tarde. Sabemos também que a esperança de vida média tem tendência a subir, que a idade das reformas (idade em que o ser humano produziu com o seu trabalho riqueza para o país) aumenta. Este país e todos os outros que adoptarem estas medidas que em nada favorecem a natalidade, terão daqui a alguns anos muitos velhos e alguns jovens. Com o avançar da idade aparecem as doenças típicas com DA e DP. Quem temos para cuidar dos idosos quando esse tempo chegar.
Tudo isto serve para meditarmos sobre o passado, presente e futuro deste país. Não se esqueçam do exercício físico, (fiz um intervalo de vinte minutos para ir ao pão, já tenho os pés e as pernas quentes) ocupar os tempos livres e também, muito importante, comunicar, comuniquem com conhecidos e com desconhecidos, mas comuniquem.
Façam o favor de vos proporcionar uma boa manhã, de lutarem por uma boa tarde para chegados à noitinha a passardes que nem anjinhos.       

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

AMIZADA

Novembro, 25 do ano 2010. O relógio (maldito relógio) da cozinha acabou de bater a nona badalada. Eu num canto da sala “teclo” umas palavrinhas para os meus companheiros do infortúnio, Doentes de Parkinson. Dado este grupo ser dedicado aos Familiares e Amigos…
Hoje, se me é permitido, gostava de me dirigir aos jovens, grupo no qual julgo ainda pertencer, por favor façam amigo, alimentem as amizades, cultivem o valor amizade e não tenham vergonha de pronunciar os termos: Amigo e amiga. Há aliás um dito popular que diz mais ou menos isto”é no Hospital e na cadeia que vemos os verdadeiros amigos”. Pensem, hoje sois jovens, amanhã sois velhos (é isso o que chamam aos doentes de longa duração e aos reformados) e ides viver e conviver com os amigos que hoje fizerdes. Não tenhais a mínima dúvida. Passeai pelos jardins, pelos centros de idosos, pelos cafés e o que vedes? Velhos em grupo de 4,5,6 ou mais juntos em amena cavaqueira (terapia ocupacional, temos que a promover) e lá ao fundo um velhote triste e só…
Voltando ao DP, já fiz referência à terapia ocupacional e de grupo. Fico-me por aqui sem que antes vos deixe um recado, ocupem os vossos tempos livres. Eu também não sei, inventem.
Façam o favor de terem uma boa manhã, lutem por uma boa tarde e tenham um noite com os anjos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Festa da amizade/parkinson

RENASCIMENTO:

São sete da manhã do dia 22 de Novembro de 2010. O tempo, lá fora, não está famoso. Muita humidade, aguaceiros, mas não noto frio. Retomo estas crónicas de INCENTIVO À VIDA DE BOA QUALIDADE QUE OS DP podem levar desde que não adormeçam à sombra da fatalidade da doença. Como ia referindo, retomo estas crónicas, depois de uma longa conversa, que entrou madrugada dentro, com o Senhor António Carlos Jordão, pessoa que ainda não tive o privilégio de conhecer pessoalmente, mas que admiro pois é DP desde os 28 anos, então casado e com filhos (perdoe-me esta inconfidência). O tema da conversa foi acerca de um falso divisionismo entre o GAF DP e a APDPK. Com as arestas do problema limadas resta-me pedir ao auditório, a paciência necessária, para me aturarem. Pois eu continuo e continuarei a dizer: - O Parkinson não mata, nós somos que temos de minimizar os efeitos maléficos para o nosso bem-estar e para o dos nossos Amigos, Familiares e Cuidadores. Tudo isto se consegue fazendo exercício (caminhada ao ar livre). Ir até ao café ou a casa de um amigo e falar, falar muito sobre tudo e sobre nada (não ao isolamento). Ler, dar continuidade ao coleccionismo, ouvir música, ver cinema ou qualquer outra actividade que sempre quis fazer, mas nunca arranjou tempo (terapia ocupacional). Sei que sou “peco”, mas tem que ser. Façam o favor de aproveitar bem a manhã para darem continuidade a uma boa tarde e finalmente uma boa noite dormindo que nem os “anjinhos

sábado, 6 de novembro de 2010

O pulsar das opinioões

Quero saber o pulsal das pessoas sobre o uso dos DPe idosoa de algo semelhante para melhor circularem no inferno das cidades. Em meu nome e dos demais, MUITO OBRIGADO

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Saudades

Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

                     Florbela Espanca

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

PEÕES vs AUTOMOBILISTAS

Quatro de Novembro. São neste preciso momento 12:00. Cheguei a casa após uma das etapas dos meus dias, a caminhada. Como sempre o percurso é citadino. Hoje estive particularmente atento às passadeiras para peões, na cidade de Viana do Castelo. O percurso foi curto. Meadela , Avenida dos Combatentes, Meadela.  
Todos nós (tenhamos o topo de gama, o descapotável, média ou alta cilindrada) somos peões certo? Como se pode justifica que determinados (as) condutores (as) se estejam totalmente borrifando para o peão, seja velho, seja uma criança ou mesmo doente com movimentos mais lentos. Em frente á ESE há uma passadeira com sinalização vertical. Estive três minutos, parado fora do passeio e mingúem reparou que estava alguém que pretendia atravessar para a outra margem. Dei meia volta, segui em frente em direcção á rotunda “AXEL”. Aí é de morte! Faz-se a rotunda de passadeira em passadeira. Atenção olhos bem arregalados, não vá o diabo tece-las. Eis-me chegado ao cruzamento junto ao Continente. Aqui é só ganância. Há uma passadeira que deve ter uns vinte metros. Quem desce do Hospital Particular com a célebre “esperteza saloia” de roubar a prioridade a quem desce da Ajuda, querem lá saber do peão. Chegado ao meio da passadeira outro trabalho, porque há os vindo da rotunda querem roubar a prioridade aos que descem e querem seguir em frente. Com um tiro rouba também a prioridade a quem descendo pretende virar á direita. Felizes com estas proezas aí vão eles cantando e rindo cientes que são os melhorem. Esqueceram-se que o peão que esperava calma e tranquilamente pela prioridade, foi ficando, foi ficando até que alguém com princípios educação, lhe concedeu o direito, legítimo, de poder passar.
Já no outro lado da rua pensei: Qualquer dia sou processado por incitamento ao suicídio, pois passo horas e horas, a escrever linhas e mais linhas, incitando os Doentes de Parkinson para nunca pararem, terem de exercer actividade física, fazendo marcha uma das indicadas. Como normalmente os circuitos são citadinos em que situações me colocam. Tenham mais respeito pelos peões.
Há um ditado popular que pode ser traduzido da seguinte forma: “Condutor és peão serás como fizeres encontrarás”     
   Autor: José Santos  

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Doentes de Parkinson: Cuidado com a medicação

Como sabem, pelo menos tenho tentado esclarecer, á Doença de Parkinson estão normalmente associados estados de DEPRESSÃO e de ANSIEDADE. Ambos estados carecem de tratamento com fármacos. Então temos que, no mínimo, o DP terá que tomar: Um comprido para combate da ansiedade, um para a depressão, um ou dois compridos para o Parkinson. Se este paciente for hipertenso são mais uns dois. Se for diabético, se for … e se for… Em regra os medicamentos aplicados ao tratamento do foro psíquico, de entre outros, provocam sonolência.
Então, quando iniciei o tratamento á DP, receitaram-me paralelamente, os ditos fármacos para controlo psíquico. Estes deveriam ser tomados após o pequeno-almoço, um de cada “cartucho”. Um de entre muitos sintomas da DP é o paciente transpirar muito, tecnicamente designado como “seborreia”. Estávamos em pleno Verão de 2007, desloco-me ao meu “corta-cabelos”para marcar o corte para o dia seguinte.  Ora o Senhor (conhecedor dos sintomas da DP, pois um cunhado também convive com o Sr. Parkinson) acariciando um resto de pelos que teimaram em permanecer no queixo, disse:
- Como faz um calor dos diabos, esteja aqui às 8:15, tratamos disso pela fresquinha. Concordei com ele.
Dia seguinte. Sete horas levantei-me. Cuidei da higiene pessoal. Desci, preparei o pequeno-almoço. Estômago forrado, ai vai o Zé tomar a medicação normal e pela primeira vez os de carácter psíquico. Oito horas Zezinho sai de casa. Chegado ao estabelecimento, sentou-se, assistiu aos preparativos e …. Ligou á terra. Trinta minutos depois, já limpinho, ouve uma voz:   - Vá acorde que o serviço está feito. Zé levanta-se e pergunta:
- Quanto lhe devo?
- São vinte Euros.
- Vinte Euros???
- São dez pela cama e dez pelo cabelo.
Senhores e senhoras acompanhantes de doentes, qualquer que seja o tipo de doença, atenção á medicação, aos seus efeitos secundários e cumpram os Horários.
Façam o favor de terem uma boa noite.
 (Publicado no Face Book, no espaço, GAF DP em 27/10/2010)                                                                

Autor: José António dos Santos

CONTRA A IMOBILIDADE DO DPs

Três de Novembro. São seis horas da manhã. Sim eu sei que ainda devia estar a dormir, mas que querem ontem (como sabem tive de me deslocar ao Porto) cheguei a casa todo esfrangalhado a somar a todo este cansaço acumulado, ainda cumpri com as minhas tarefas mundanas: Fui á fruta, aos legumes, á salada ao pão…finalmente servi o jantar para 4 comensais (o 5º é muito rigoroso com os treinos). Tudo isto cansa, mas o que deixou de rastos foi aguentar o jogo do Benfica vs Lyon. Quando acabou estava todo “descadeirado” e fui-me deitar. Agora dirijo-me aos DP em particular. Já fui ver o estado do tempo. Está muito semelhante ao de ontem. Quando sentires os raios solares afagando o teu rosto, levanta-te. Trata de ti, não esqueças os medicamentos, pois hoje vou desafiar-te a para uma caminhada. Que tal partirmos, tipo… 9:30. Tu escolhes o teu e eu o meu e amanhã contaremos aqui as peripécias da caminhada. Contra a imobilidade do Doente de Parkinson, MARCHAR, MARCHAR! Façam o favor de fazer uma boa caminhada, de passarem uma manhã feliz, de terem uma tarde cheia de surpresas boas e como sempre uma noite bem dormida.  
Assinado:
José Santos

terça-feira, 2 de novembro de 2010

CARTA PARA UM AMOR IMPOSSÍVEL

Carta de amor:
Para ti, Mulher Sem Nome de Olhos Bonitos:
Reparei em ti em finais de Agosto ou finais de Setembro do ano, para mim duplamente inesquecível, de 2007. Digo duplamente inesquecível porque, foi no ano de 2007 que me é diagnosticado a Doença de Parkinson (07 de Janeiro de 2007). Foi algures no ano de 2007 que os nossos olhares se entrelaçaram, libertando em mim a labareda da paixão.
Nunca te dirigi uma palavra. Nunca perguntei o teu nome, onde vivias e com quem vivias. Com o decorrer do tempo soube, por que vi o modo carinhoso (como só uma mãe sabe fazer) acariciando e beijando o teu filho que mais tarde soube que se chamava Paulo. Então um lindo e amoroso menino, hoje um belo rapaz. É um rapaz sereno, educado…provavelmente o filho que toda a mãe gostaria ter.
Sei que és uma mãe extremosa, pois muitas vezes testemunhei o extremo cuidado como o protegias do frio, da chuva e da timidez.
Nunca to disse, mas sempre o pensei, sendo mãe extremosa porque não a companheira ideal para o resto das nossas vidas?
Nunca te dirigi palavra, por isso não sei o teu nome. O Senhor Parkinson não o permitiu. Deprimido, ansioso, com dificuldades (evidentes) em andar e com a alma sangrando de tanta dor. Era com enorme sacrifício e com algum prazer, que permanecia hirto junto de um quadradinho mágico de verde pintado observando-te. Ora de frente, ora de lado, ao perto ou ao longe. 
De qualquer modo, tinha uma vida para além do Parkinson e da Mulher Sem Nome de Olhos Bonitos. Era necessário lutar contra a imobilidade a que estava sujeito e para tal era imperioso ter força de vontade e motivação. Só eu sei o quanto é difícil percorrer a pé pequenininhas, pequenas ou longas distâncias tendo apenas como companheiro o Senhor PARKINSON. Sim, tive o apoio da família, também dos poucos amigos que consegui fazer durante os vinte e nove anos que esta terra magnifica me acolheu.
Mas a tendência, mais tarde ou mais cedo, é desistir. Não desisti nem desistirei porque na minha mente estará presente a minha paixão pela Mulher Sem Nome de Olhos Bonitos.   
Aproveito para, humildemente te pedir desculpa (Mulher Sem Nome de Olhos Bonitos) se em algum momento te sentiste molestada, desrespeitada ou ferida no teu orgulho, pois nunca foi minha intenção ofender-te.
Mulher Sem Nome de Olhos Bonitos: Li muito sobre o Parkinson. Tomei a decisão: seria, vil, cobarde e cometeria um pecado mortal imperdoável, tentar conquistar o teu coração. Não quero que daqui a alguns anos (muitos pretendo eu) veres-me definhar no final da minha vida. Tu, se ainda me amasses, serias um farrapo humano, pois não estarias emocionalmente preparada para aguentar tanta dor. Deus é meu amigo, estou convicto que me irá poupar a tanto sofrimento.
Mulher Sem Nome de Olhos Bonitos quero que saibas que esta decisão foi tomada em pleno equilíbrio emocional em 5 de Outubro de 2010.
Mulher Sem Nome de Olhos Bonitos, quero que saibas que continuas e continuarás a ser a minha paixão. Por ti e por mim, irei lutar contra o Parkinson todos os dias da minha vida de modo a morrer com a melhor qualidade de vida possível.

Com mil beijinhos me despeço:
Um doente com Parkinson

Simbolo para DP

Ao Cuidado da associação Portuguesa de Doentes de Parkinson
Delegação do Porto
Excelentíssimos Senhores:
Chamo-me José António dos Santos, convivo com Parkinson desde Março de 2006. Foi-me diagnosticado em 07/01/2007. Desde então para cá tornei-me um estudioso da Doença de Parkinson.
Criei um espaço no Face Book, que através de pequenas crónicas procuro sensibilizar os Doentes de Parkinson para a prática física, bem como o recurso às terapias associadas á doença.
Como já passei por situações perigosas e rocambolescas, tais como: Perdera vez por me ter sentado, rirem-me se mim quando tropeço e para não entrarmos pelo atendimento público…E nos transpores públicos, é uma selva. Com 52 anos de idade, já nada me surpreende.
Surgiu então a ideia de solicitar a esta associação que estude esta hipótese de modo a sermos reconhecidos e assim houvesse mais respeito por nós.
Coloquei esta ideia no espaço que criei (GAF DP Grupo dos Amigos e Familiares dos Doentes com Parkinson). E como é costume disseram logo que era uma ideia sem pernas para andar porque se uns querem há que não. Uns assumem outros escondem a DP até quando não poderem mais.
Eu estou nas tintas para os que por mil e um motivos se “metem dentro do armário “ indo desse modo contra os princípios da razoabilidade do sofrimento. Eu todos ínsito todos os DP, a saírem de casa e exercitem, exercitem…
Eu sei que têm um pine eu sei que têm um cartão, quero algo com mais alcance; tipo crachás que autorizam a presença de determinada pessoas nos recintos desportivos.
Porquê? Porque o pine só é visível quando duas pessoas conversam, o cartão só é visível quando as pessoas se cruzam. Eu quero ser reconhecido á distância.
Grato pela tenção:
Respeitosos Cumprimentos
José dos Santos
(DP)

Amor que morre


O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!

Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.

E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!


                            Florbela Espanca